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Ir para Versão Original : Minha mulher vai me matar, mas foram bons dias.


marshall
10/01/2008, 15:07:33
Estava móvel, estava pela cidade, por aí perambulando. Dormindo no banco de trás com a rodovia acima de mim, não voltei para casa na sexta. Virei insano, virei móvel pela cidade. Gastei todo meu dinheiro, mas estou vivo. Agora minha mulher está enlouquecendo pensando que estive com outra mulher, eu não sabia que ela podia gritar assim. Parei em todas as ruas e falei com todas as pessoas que encontrei. Parei nos arbustos e os transformei em cama de motel, acelerei até o limite e joguei dinheiro pela janela enquanto gritei liberdade. Policiais tentaram me levar para casa, mas minha casa era meu carro. Nesse meio tempo, minha mulher planejou me matar quando chegasse em casa e lá não teria estes policiais para me ajudar. Comprei uma pistola, aluguei seguranças, invadi as forças armadas para conseguir um tanque mas fui expulso de volta para meu carro. Agora, minha mulher vai me matar. Meu cartão estourou com todas as bebidas e todas as festas e não pude mais botar gasolina para continuar rodando. Mas antes fui parando por aí, descansando em tetos de prédios abandonados. No porta-malas, havia ainda duas garrafas de gin para terminar, adiei minha volta. Escovei meus dentes, fiz café e chá enquanto ligava o som e freiava no sinal. Joguei fora minha identidade, foi puro e fácil. Bem verdade que guardei a carteira de motorista bem escondida para não verem que estava só fingindo ser livre num final de semana. Desejava que ninguém visse dentro de mim, mas as pessoas são facéis de enganar, basta um cigarro e uma bebida. Eu sei que minha mulher vai me deixar, por isso mantenho sempre uma garrafa por perto. A guitarra subia às estrelas e as mãos que construiram uma vez, destruiram outra vez. Eu fumo Marlboro, que é o cigarro que a televisão me ensinou que era de gente livre, eu sou livre, eu sou livre. Na última noite, eu desejava que as garotas me desejassem. Esbanjei gin na cabeça delas e logo elas subiram a minha cabeça. A música tinha seu breve intervalo sonoro onde todos batiam palmas, todos abriram uma roda e eu estava lá de terno surrado e dançando numa velocidade igual a que o mundo gira. Um punk era arrastado por seu avô e eu comprei a briga. Eu disse para libertar. A banda cantava paz enquanto eu comprava briga. Resolvida a situação, o punk não agradeceu e disse que podia ter cuidado de tudo sozinho. Eu dei de ombros e fui jogar sinuca, dei vertigem ao adversário, comprei o jogo e ganhei. Um casal brigava no canto, ela chorava, ele terminava uma frase. Oh, aqueles garotos realmente não sabem dançar, eles acham que estão em algum outro mundo. As luzes vermelhas nas saídas de emergência indicavam que estava tudo seguro. A garota de vermelho, provavelmente não podia ver por causa das luzes mas eu estava encarando-a. Ela não via, então eu pensei que teria que ter dois dentro, pois não podia ter só. Eu disse para ela que tinha algo que ela nunca viu. Ela disse que não havia nada que não tivesse visto, mas quando eu mostrei ela se assustou. A música acabou, a festa terminou. Acenderam as luzes e derrubaram a diversão bêbada para fora do lugar. Lá fora encontrei a garota de vermelho e ela disse que queria de novo e eu disse: - "Você pode ter tudo, mas de mim terá só isso". Ela olhou para os garotos da banda e se afastou. Oh, os garotos da banda, estes sabem se divertir. Teve confusão nas escadas, um punk gritou: - "Anarquia Oi Oi" e eu ri. A garrafa ia acabar e ia terminar comigo, partir meu coração. Felizmente, ainda tinha o cigarro para me abraçar na noite fria. O dia ia surgir e eu estava andando pela rua, procurando vida nas escadas, nos corredores escuros e nas putas que não precisava pagar. No outro quarteirão, vi um poeta dizer: - "Arranquem meu coração ou me deixem aqui. Mas me dêem um pouco de gin e ele voltará a se refazer, para beber em seu copo a trincar". Eu não tinha esse espírito compartilhador que estes da noite parecem ter. Segui em frente e encontrei o meu melhor amigo da adolescência, ele disse: - "Porquê não subimos lá em cima e vamos ter um bom tempo ?". Eu disse: - "Vá se foder sozinho". Então ele subiu com um outro amigo e eu fiquei sozinho. Passei por estacionamentos, por ruas de cracks, por avenidas de cocaína, por rodovias de heróina e por casas de açúcar. Precisava voltar para casa, o cigarro tinha terminado e eu não tinha mais dinheiro.

Oh não, minha mulher vai me matar. Oh não, ela está vindo, é melhor correr.