marshall
30/12/2007, 4:48:15
O café está frio, mas ele conseguirá te levar pelo resto da noite. Lá fora, toca um alarme de carro e você é mais um dos que não se importam se o carro do seu vizinho está sendo roubado. Você se mantém acordado, sonhando sonhos que não são seus. Pessoas dançam e sorriem nos programas de auditórios e você está pensando em quanto tempo ainda viverá e o que tem pra fazer até tudo terminar. Você queria deixar o copo escorregar da mão, mas não quer ter que limpar tudo depois. Percebe que é tanto a vítima quanto o vampiro, só depende de quem está por perto. O apito do vigia soa lá fora, interrompendo tudo. Você só não se importa, quando coisas ruins acontecem, você se sente vivo. É assim que é. Manhã cinza, você sai do seu buraco e decide ser vítima aquele dia. Antes de sair de casa, come algo assistindo às propagandas na TV, você sabe todos os números decorados. Vê seu companheiro passar, ele fala, mas você realmente não escuta. O dia põe sua confiança e você sai de casa. Tão longe, mas tão perto, é assim com satélites e televisões. Você pode ir para qualquer lugar, mas vai trabalhar. Se você se jogasse no meio da rua, ninguém ligaria. Se pulasse, você ia simplesmente cair. Se pudesse ficar com algo que gosta, a noite seria suficiente. Mas eu realmente não sei se isso daria certo. Se pudesse afogar seus demônios, o dia provaria seu orgulho. Mas você não conseguiria isso de graça. E eu não posso te dizer com certeza se daria certo. Poderia chover agora, bem forte. Todos iriam para casa mais cedo. E você sairia por aí, acenderia um cigarro, seria só uma batida seca no chão. E você achou que só precisava da chuva para lavar sua má sorte.