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Ir para Versão Original : Terras de ninguém


marshall
30/12/2007, 4:45:56
Lembraria de céus de desertos, de vales desertos, de colinas verdes, em silêncios inquebráveis, em visões intermináveis. Lembraria de vinhos bons que jamais cheguei a tomar, de cervejas geladas nas piores noites quentes que enfrentei. A rodovia falaria histórias de viajantes que morreriam de amores ao chegar em seu destino. Veria veios de ouro nascendo nos afluentes de rios que passaria. Cidades brilhantes me contariam histórias de mulheres crentes que se perderam depois de se apaixonarem por homens canalhas, cafajestes. De trens que partiram, de como quando o amor chegou a cidade, eles pegaram aquele trem. De noite, as mesmas colinas verdes que me encantaram, parecerão tão fantasmagóricas, escondendo histórias de foragidos que esconderam prata e ouro ali, que acertaram policiais na cara pela mesma prata e ouro. Que não sabiam pra onde iam depois de voltar o último punhado de areia para o lugar. Luzes azuis sobre a avenida, músicos decadentes tocando na calçada. Um anjo em sapatos de demônio acenando para mim, oferecendo indecências com as quais eu soltaria um sorriso carregado de malícia. Na próxima estrada, chuva violenta e envenenada pelas torres de aço e ferro, que quando não tinham nome eram chamadas de progresso.

Em frente, em frente.