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Ir para Versão Original : Demônio em um vestido vermelho


marshall
30/12/2007, 4:40:17
Um demônio em um vestido vermelho. Copos vazios, desejo de vadiar, as ruas soam como sinfonia, um rádio tocando um blues. Era uma madrugada fria quando toquei a campanhia e iria ficar com frio. Dia quente e seco. Uma aparência de anjo, poderia enfeitar uma árvore de natal. Até mais, eu disse. Fica aqui, ela disse. Na avenida que não tinha nome, nós tínhamos Rolling Stones e Sticky Fingers, isso só podia ser assim.

Luz amarela na avenida, deus sabe o que você ganhou. Quebre corações, você é um demônio num vestido vermelho, você nunca pareceu um anjo. Você podia ver a verdade por trás de tudo, veja a verdade por trás dos meus olhos. Anjo, anjo desta cidade vestido em vermelho e branco. Eu perguntei se devia pregar pelas ruas. Pregar por amor ou por dinheiro, dinheiro, dinheiro. Eu iria para as ruas onde a grande cidade se encontra com o interior. Você riu, queria ser mesmo é a vela queimando no meu quarto. Eu quero ser sua agulha, sua agulha e sua colher. Cheio de desejo, logo logo, você também estará. E a febre aumenta. A impaciência explode. E eu vou pelas ruas carregando uma guitarra azul, logo logo, todos terão uma. Sou como o pastor, eu prego por dinheiro, dinheiro, dinheiro. Mas você me fez ajoelhar pelo amor, escalar muros e enterrar o dinheiro, dinheiro, dinheiro. Oh garota, deixe se perder. Deixe sua alma se ajoelhar e pedir por dinheiro, dinheiro, dinheiro. A febre vai aumentar e você vai implorar por dinheiro, dinheiro, dinheiro. Dirá para mim desejo e eu direi dinheiro.

Pararei no centro da cidade com uma gaita antiga e enferrujada, minha boca encostará nela e você me dirá desejo, então eu cantarei liberdade. No vento quente, a febre aumenta e eu me arrasto pelo centro cantando liberdade. No prédio derrubado da esquina, uma mãe estaria preocupada com o que vai dar de comer para os filhos hoje. Mas eu estarei cantando liberdade, não estarei preocupado, cantarei liberdade pelo meu povo. E você gritará desejo o tempo todo. Você decidirá tocar um chocalho e nós plantaremos uma semente demoníaca como você quis sempre. Veremos as chamas cada vez mais altas queimando cruzes. E a mãe olhará para nós da janela enquanto estivermos cantando liberdade para esse povo. E eu posso ver reais sendo gastos por mim. E eu jogo eles na conta. Cem, duzentos, trezentos. Como todas as cores de um dia cinza, a cidade dormirá para esconder a noite. Mas nós colocaremos a chave na porta e lentamente abriremos esse desejo. Lá fora, estaremos presos. Entremos e a febre passará. Você gritará desejo e eu darei liberdade num motel vagabundo. Quando tudo passar, não teremos virado um. Teremos virados pessoas que vão para casa e se trancar para esconder o dia que passa. E eu te ligarei, você me atenderá e me recusará. Para justificar, irei pregar por dinheiro, dinheiro, dinheiro. O quê mais ? Diga algo! Acerte onde dói, dê porrada onde dói, deixe roxo, deixe afrouxar, deixe se perder, me caçe, esqueça que você é presa nessa cidade de merda. Esqueça de achar o céu lindo e de orar todas as noites por coisas que não fazem a mínima diferença. Eu irei bloquear a saída, lhe segurar forte e você não poderá gritar. Você vai me bater no peito enquanto minhas mãos subirão ao seu pescoço. Então, lá fora vão ouvir um grito. Nariz quebrado no chão e você se rastejando até a porta. Gritarei que sou alguém, sou capitão e rei, dono de tudo, inclusive desse gatilho. Você só pode parar. Você vai parar. Você pára. Viramos dois animais num ringue. Cantos opostos mas no mesmo lugar. Eu via beleza em você, beleza brilhante. Eu gritarei que não tenho nada, mas tenho mais do que você. Então quando você grita, quebra o espelho e diz para eu te libertar. Libertarei. Acertei onde doía. Acertei ali por liberdade e você me acertou por desejo. Liberdade e desejo. O blues chegou ao fim e eu não podia mais dançar. Eu podia ver a beleza brilhante perdendo o brilho. Está na hora de matar a liberdade… E lá se vai o copo quebrando no chão.