marshall
13/10/2004, 23:32:25
Sabe aqueles tempos ?
O dia todo na cama
Seu corpo já não aguenta mais dormir
Você se levanta pra logo voltar a deitar
A cozinha está lá, um copo d'agua, uma mordiscada
O quarto escuro de novo, e segue o rastro dos seus olhos
A porta abre, você não reconhece direito quem é
Não lhe trazem mais boas notícias, você não lembra do ceú
E é tudo igual, tudo muito chato...tanta gente correndo lá fora
Alguns chegam e dizem: 'Vamos lá, é hora de sair daqui, de ir embora'
Mas você sabe que deve continuar ali
A cozinha já não tem mais graça
A televisão, sempre no mesmo canal
É só uma distração obsessiva e sem graça
Você já aprendeu a enxergar tudo no escuro
Remexe nas coisas procurando por um futuro
Que na sua mente, você não quer
A pressão aumenta, a noite é toda acordada
E então mentimos pra nós mesmos, tentamos lutar
E com a corrente, somos levados até o mar
Não tem como escapar, você já se perdeu no seu próprio quarto
Se perdeu sem nem abrir a porta, sem deixar nenhum rastro
As coisas mudam, você dorme melhor
Você aprende a mudar o canal da televisão
Mas continua na mesma
Você sempre continua na mesma
Tudo é sempre igual
E quando me perguntam eu digo:
Eu faço tudo isso por amor...
Sempre...
----------------------------------------------
Olha, um dia eu morrerei
E aí viverei
Para junto com a eternidade
Vou-me embora pelas rodovias
Que mentiram para a solenidade
E irei ficar na calamidade
Que é o mar que o sol invade
Eu não posso morrer
mas se eu sei que tão bela flor
um dia morreu, aceito, ir para o seio teu
E ainda que me faça inexistente
Alguem haverá de colocar meu nome
Nas estantes de assistentes
Ou até mesmo do dono do cinema
Que passava os filmes, colírios
Que para meus olhos, ardia de saber
O meu grito é igual ao seu
Que é também igual ao dele
E o dela, tão diferente
Nos iguala por um caratér
de igualdade e não de maldade
E até que por onde andamos
Os caminhos se desfaçam
Continuarei junto a ti, no teu bravo peito
Clamando por um destino menos trágico
E por uma figura menos feia
-------------------------------------------------
e então
chegamos ao fim
esperadíssimo
melancólico
frio
não irei falar em outra língua
pois tento orgulhar-me da minha
e ainda com os porques do rio congelado
quando eu caio, o gelo arrebenta
e eu caio dentro das aguas lancinantes
aquelas bolhas...velha companheiras de dor alucinantes
lindas...mirabolantes, só elas me conhecem
são elas que fazem o meu destino de espanto
e eu brindo com e para elas
e conseguinte que a roleta gire
meus olhos a seguem, a bola de ponta
a outra ponta, sempre mais bela, me atrái
todavia, a bola negra, não cai lá, e sim cá
Perco meu sustento de farrapos e verduras
Tostado por cometas brancos que giram
meu corpo se delira de tormento e dor
e eu aqui, parado olhando o tempo passar
ele passa sem nem ao menos acenar
e quando tento uma carona pegar
ele simplesmente acelera sem olhar
e eu aqui, parado olhando o tempo passar
meus amores vem e vão, num índice maldito
de raizes quadradas sem explicações
E por conseguinte, eu aprendo a pegar as vidas
nas mãos, mas sempre o que vem é a morte, sou um sem sorte
Nunca mais chamaram pelo meu nome
Esqueceram-me, incrível, eu que fui o rei do jardim
o jardim das sete infâncias
O jardim mais belo que consegui ver e sentir
O jardim que por ventura foi o mais lindo
O medo que se confronta com a dor
A dor que se confronta com a escuridão
A escuridão que se confronta com a luz
A luz que se confronta com a razão
A razão que vai de frente com a emoção
A emoção que dá de cara com a ilusão
E por fim, a ilusão que se torna uma vida
E até então, como um cavalo calado
galopei sem destino
um trote sem tino
uma parada sem ponto
um ponto sem frase
uma base sem quadrado
um topo sem meio
uma vida sem a morte
uma esperança sem fé
uma mesa sem cadeira
um laço sem nó
Eu era só um cavalo calado...
-------------------------------------------
Quero um sono na praia, bem bêbado
Longe dos chamêgos dos anseios
Perder esse medo sem receio
O ar das acácias chega primeiro
A louca te beija quando chega janeiro
O arrepio passa loucamente no seu pescoço
O tempo grita em marcha; eu não piso no freio
Enquanto recompomo-nos de nossos amores, eu virei moço
O ar te bate friamente, te mostra
Vira a cara, confronta-te com o mar
Cabeça dura, coração em pedra, você é o coral
Ondas vem levianamente como penas
Sem intenções, sem glórias, sem feridos
Sem estrondo! E você dá um gemido...
--------------------------------------------------------
Atravesse o translúcido
É artificial, mas não importa
Flashes de luzes de porta em porta
Aprenda a ficar lúcido, seu estúpido
Eu não vejo solução aparente
Minto, já resolvi tudo entre a gente
A batalha de titãs vai começar
E ainda não aumentamos o muro do nosso quintal
Isso, é chato, intransigente
Vamos fingir que não abala a gente
Tal passado invade tal presente
E já não sabemos mais quem somos
Histórias extraordinárias me impressionam
Mas só quem sabe contá-las, é que sabe o poder
O poder escondido do mal não alimentado
De sair por aí e gritar bem alto o que você nunca quis dizer
Essa revolta me faz chorar
Implorando, termino por soluçar
E até então, não consigo me segurar
A cada beijo do louco desejo
Eu me entorpeço e não me esqueço
De tudo que ainda não entendi...
---------------------------------------------
Triste por estar aqui
Triste por ser o que sou
Triste em ver o que me restou
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Fugir, escapar
Triste por olhar daqui
O que fazem, o que enganam
Falsos que dizem que me amam
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Escapar, me libertar
Triste por entender
O que dizem, manipulam
Paranóia que não me deixa viver
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Libertar, flutuar
Triste por essa tristeza
Essa paranóia tem que parar
Me arraste daqui, preciso implorar ?
Eu não tenho boca
E eu preciso entender
Viver e morrer...
--------------------------------------
Por raridade, seu olho se encontra com o meu
Neste momento que penetro no seu olho
Eu sou você e o que vejo sou eu
----------------------------------------
O que pode ser ?
Meu coração não diz
Eu sinto medo
Sim, eu sinto medo
E nenhum deus está comigo
Nenhum deus esteve comigo
Me acordaram no meio da noite
Fiquei com medo da tempestade alucinante
Eu fugi pra me refugiar
Chorando lágrimas nas selvas
Mas eu sempre soube...o bravo
Encara o trovão sempre a lutar
Intrépidos soldados ingleses tentaram
em vão me levar - resisti bravamente...
---------------------------------------
Era de se esperar
O rei é só uma marionete
Um palhaço brincando
Somos nós
Nós que construimos o destino deles
Parecem lunáticos
Tão engraçados
Brincam na grama
cuidado com seu machado!
------------------------------------
E até então satisfeito
Vou pra algum lugar mágico
Que me espera
Um lugar bem melhor
Onde eu ficarei melhor
Com alguém, até ir para o além
E descendo a velocidade
A bomba desaparece por um momento
O vento fresco não me bate
Me acompanha
E eu compreendo
Que até então
Só precisava de você
E então o frio chega
E estamos debaixo de nossos lençóis
O teto é nosso ceú
Não ligamos pras estrelas
Somos nossa própria vida
E até então eu compreendi
que só precisava de você
O sol e a chuva passam de mão em mão
você amadureceu, mas também envelheceu
Não está triste, sabe que somos nossa própria vida
E a noite chega meio cambaleante, mas você segue em frente
Talvez sozinho, mas compreende que vai encontrá-la
Não colocaremos nossa vida em outras mão
E até então o sol era só mais um brilho
Até então diminuímos a velocidade
Aproveitamos tudo em câmera lenta
Como se estivessémos debaixo d'agua
E até então eu compreendi
que só precisava de você
Você sabe que a uva é um tanto doce
você a quer, mas não quer se levantar
Quando iremos nos juntar ?
E até então eu entendi e quero sair daqui
Um lugar melhor me espera
Algo mais novo e mais alegre
E nós vamos para lá
pois somos nossa própria vida
------------------------------------------
As flores de lótus se alertam umas as outras
Para a nova onda que irá chegar
O bravo já nao sabe que caminho tomar
Perdeu suas esperanças enquanto olhava o mar
Mostre-me o seu caminho
O fim da noite está chegando
Não há mais tempo
O corredor é largo e profundo
Não há mais tempo para decidir
É passar ou ficar
------------------------------------------
Eu nasci no fim
já quando as cortinas desciam
Eu vi que você estava muito confusa
Mas são só os novos tempos que baixinho miam
Fique de pé, aguente-se
que o tempo certo tá vindo baby
E então agora, corre, pra alcançar o mar
Que eu corro atrás de você pra te amar
A chuva vem, as pessoas se afogam
Mas não chore baby, não é o fim
é um novo começo, lavemos nossas mentes
A esperança nos espera no fim do frenesi
E então o sol vem correndo
Anunciando o tempo certo baby
E então agora, corre, pra alcançar o mar
Que eu corro atrás de você pra te amar
-----------------------------------------
Quando eu era mais jovem
Entrei numa banda meio sem sentido
Fiquei mais perigoso, um tanto vivido
E agora, eu vou é revolucionar
Eu escutei muito raul seixas
Aprendi a aparar as madeixas
Mas eu aprendi também que não importa
Entrar no meio sem ser pela porta
Eu fui ler vários livros
Platão, sócrates e niezschte
Mas no fim aprendi o que já era
Eu tenho que ir, nego me espera
A estante não é revolução
Ficar parado não é solução
Todos me mostram o caminho
Mas eu sei, tá no meu umbigo!
---------------------------------------
Lá fora o amanhecer está quebrando
Mas aqui dentro, ele está atuando
Uma cena de teatro bem retraída
Minha alma também canta!
--------------------------------------
Desesperadamente você corre
Pelo longo caminho
E enviado pelo submarino
Você corre ao antigo lago
Mas quando todos gritam
É quando tudo bem
E bem longe desses campos
Escolha onde quer atuar
E tudo são ecos
Refletindo suas acões em outro plano
O passado está na arvore
As lanças não lhe acertam
Ande e você irá ver
E por trás dos olhos
Você não encontrará as lagrimas
E nem os anos que ficaram por trás da linha
--------------------------------------------
E em quieta desesperação ela acenou pra mim
Bravamente dando seu último olhar para o futuro
Que passava ali perto ; E os campos verdes enfim
Se encheram de algumas lágrimas de rancor duro
E em seu coração, sentia que havia chegado a ira dos deuses
Que os campos já não seriam os mesmos, teriam túmulos pobres
Chegada a hora, na sua mão um pequeno avental, lá leu-se
"Embarcando para nunca mais voltar", não há aparente sorte
Oh...oh...oh...
E em quieta desesperação
Eu não olhei pra trás
Oh mamãe...porque ir a essa terra ?
Porque fui chamado pra essa guerra ?
Mamãe...o que fizemos ?
--------------------------------------------
Zinco ecoa a fim de causar brilho
O bebê chora aos leões nas ruas
Enfurnado, o soldado baixa cabeça ao grito
De dor da vida derrotada e nua
Só o sábio nos conduz a verdade mentirosa
Os loucos que picham nos muros a certeza
A alegria que vem e vai logo sem destreza
O inferno que nos conduz a essa aspereza
Um fogo do mal, a vida
As estrelas, a incerteza
O império, o sacrilégio
Vem num surto, num lúcido
Em um pavio, no navio
Na morte, na sorte
--------------------------------------
Eu vi o inferno dos homens
Me desafiar para uma luta
E nada pude fazer contra esse infâmia
Baixei a cabeça desesperadamente...
--------------------------------------
O tempo de hesitar chegou - eu falo!
Mas só saem sons dissonantes...
São simples canções fantasmas - tão vis!
Mortas em cada esquina...
Embaixo de seus lentos coqueiros
Esperando a aurora renascer dia após dia
Morta pela noite que chegou outrora!
A vida é vil em seus relances de imbecilidade
Ela chega debaixo dos coqueiros, eu posso vê-la!
Olhos cruéis, frios como lobos do inverno gélido
Ela preenche minha alma, deixa marcas de tintas nas capelas
Chega! Não! Minha mente não aguenta cheiro crudelíssimo!
Ela diz no meu ouvido, vem e te faço a noite toda
Ó dama singela - odeio-a! - de singular pureza
Ela me faz ver os barcos que navegam; Morda
todas as vis palavras que você disse em quimeras de destreza
Morda os pedaços de rins que sobraram de seus sonhos
Ó musa! Já sonhei contigo mil sonhos! Não resta mais umbrais
Para vermos a estrela que chora rosa em nossos olhos fanhos
Já se foram os barcos que navegavam selvagemente nossos banhos
E enquanto você olha falsamente os que me rodeiam
Minha vida se constrói nisso! Te odeio; te desejo!
E cada lágrima de seu horroroso olho que cai - falsa!
Chega e vai embora aquele velho receio
---------------------------------------------------------------
As idéias se acabaram
Ficaram folhas meio escritas
Planos mal elaborados e restritos
frustações que ficaram
Tudo ficou mais distante
Flores morreram fracas, em um só instante
Reviveram toda sem dores e olores
Esmagando momentos praguejantes
Há sentido em se sentir só ?
Não faz diferença, morri hoje
Sei que morri, sou o maior
Morri sem estar entre amores
Sem esmagar fungos com minhas mãos
Sem te ver e lhe bater com meu coração
Colado entre paredes planas rebentas
Esqueci de você sem nunca dizer "Enfrenta!"
Minha primeira escolha foi errada
Fez flores murcharem todas sem olores
Misturei tudo que queria estragar
Calados em outro plano astral de dores
Espantalhos que me vem a noite
São tão maldosos!
Se fantasiam de ex-amores
Quando tenho medo das dores
E nas noites que me seguem com pavores
Encostam e recostam, são dolorosos!
E nas manhãs que acordo
Sempre sem esperanças
Sem vida e quase morto
Ainda assim, continuo minhas andanças
-------------------------------------------
em troca da vida, eu recebo a morte
me falta ser forte, me falta sorte
Não me ensinaram a revolta da canção
Eu aprendi sozinho, sem forças, sem coração
E em todo lar, eu tenho estado sozinho
Em toda companhia, sentem desgosto no meu vinho
Os leões foram soltos nas ruas, eu fui comido
Despedaçado, mas não importa, eu só estava semi-vivo
E em troca da dor, não vem a felicidade
E em troca da maldade, não vem a caridade
Me deixam só, sem escolha, escolho só
Escolho fechar os olhos pra não ver o sol
Fechar o corpo pra não ser ilusório
Abro o coracão pra verem um velório
sem mais...
O dia todo na cama
Seu corpo já não aguenta mais dormir
Você se levanta pra logo voltar a deitar
A cozinha está lá, um copo d'agua, uma mordiscada
O quarto escuro de novo, e segue o rastro dos seus olhos
A porta abre, você não reconhece direito quem é
Não lhe trazem mais boas notícias, você não lembra do ceú
E é tudo igual, tudo muito chato...tanta gente correndo lá fora
Alguns chegam e dizem: 'Vamos lá, é hora de sair daqui, de ir embora'
Mas você sabe que deve continuar ali
A cozinha já não tem mais graça
A televisão, sempre no mesmo canal
É só uma distração obsessiva e sem graça
Você já aprendeu a enxergar tudo no escuro
Remexe nas coisas procurando por um futuro
Que na sua mente, você não quer
A pressão aumenta, a noite é toda acordada
E então mentimos pra nós mesmos, tentamos lutar
E com a corrente, somos levados até o mar
Não tem como escapar, você já se perdeu no seu próprio quarto
Se perdeu sem nem abrir a porta, sem deixar nenhum rastro
As coisas mudam, você dorme melhor
Você aprende a mudar o canal da televisão
Mas continua na mesma
Você sempre continua na mesma
Tudo é sempre igual
E quando me perguntam eu digo:
Eu faço tudo isso por amor...
Sempre...
----------------------------------------------
Olha, um dia eu morrerei
E aí viverei
Para junto com a eternidade
Vou-me embora pelas rodovias
Que mentiram para a solenidade
E irei ficar na calamidade
Que é o mar que o sol invade
Eu não posso morrer
mas se eu sei que tão bela flor
um dia morreu, aceito, ir para o seio teu
E ainda que me faça inexistente
Alguem haverá de colocar meu nome
Nas estantes de assistentes
Ou até mesmo do dono do cinema
Que passava os filmes, colírios
Que para meus olhos, ardia de saber
O meu grito é igual ao seu
Que é também igual ao dele
E o dela, tão diferente
Nos iguala por um caratér
de igualdade e não de maldade
E até que por onde andamos
Os caminhos se desfaçam
Continuarei junto a ti, no teu bravo peito
Clamando por um destino menos trágico
E por uma figura menos feia
-------------------------------------------------
e então
chegamos ao fim
esperadíssimo
melancólico
frio
não irei falar em outra língua
pois tento orgulhar-me da minha
e ainda com os porques do rio congelado
quando eu caio, o gelo arrebenta
e eu caio dentro das aguas lancinantes
aquelas bolhas...velha companheiras de dor alucinantes
lindas...mirabolantes, só elas me conhecem
são elas que fazem o meu destino de espanto
e eu brindo com e para elas
e conseguinte que a roleta gire
meus olhos a seguem, a bola de ponta
a outra ponta, sempre mais bela, me atrái
todavia, a bola negra, não cai lá, e sim cá
Perco meu sustento de farrapos e verduras
Tostado por cometas brancos que giram
meu corpo se delira de tormento e dor
e eu aqui, parado olhando o tempo passar
ele passa sem nem ao menos acenar
e quando tento uma carona pegar
ele simplesmente acelera sem olhar
e eu aqui, parado olhando o tempo passar
meus amores vem e vão, num índice maldito
de raizes quadradas sem explicações
E por conseguinte, eu aprendo a pegar as vidas
nas mãos, mas sempre o que vem é a morte, sou um sem sorte
Nunca mais chamaram pelo meu nome
Esqueceram-me, incrível, eu que fui o rei do jardim
o jardim das sete infâncias
O jardim mais belo que consegui ver e sentir
O jardim que por ventura foi o mais lindo
O medo que se confronta com a dor
A dor que se confronta com a escuridão
A escuridão que se confronta com a luz
A luz que se confronta com a razão
A razão que vai de frente com a emoção
A emoção que dá de cara com a ilusão
E por fim, a ilusão que se torna uma vida
E até então, como um cavalo calado
galopei sem destino
um trote sem tino
uma parada sem ponto
um ponto sem frase
uma base sem quadrado
um topo sem meio
uma vida sem a morte
uma esperança sem fé
uma mesa sem cadeira
um laço sem nó
Eu era só um cavalo calado...
-------------------------------------------
Quero um sono na praia, bem bêbado
Longe dos chamêgos dos anseios
Perder esse medo sem receio
O ar das acácias chega primeiro
A louca te beija quando chega janeiro
O arrepio passa loucamente no seu pescoço
O tempo grita em marcha; eu não piso no freio
Enquanto recompomo-nos de nossos amores, eu virei moço
O ar te bate friamente, te mostra
Vira a cara, confronta-te com o mar
Cabeça dura, coração em pedra, você é o coral
Ondas vem levianamente como penas
Sem intenções, sem glórias, sem feridos
Sem estrondo! E você dá um gemido...
--------------------------------------------------------
Atravesse o translúcido
É artificial, mas não importa
Flashes de luzes de porta em porta
Aprenda a ficar lúcido, seu estúpido
Eu não vejo solução aparente
Minto, já resolvi tudo entre a gente
A batalha de titãs vai começar
E ainda não aumentamos o muro do nosso quintal
Isso, é chato, intransigente
Vamos fingir que não abala a gente
Tal passado invade tal presente
E já não sabemos mais quem somos
Histórias extraordinárias me impressionam
Mas só quem sabe contá-las, é que sabe o poder
O poder escondido do mal não alimentado
De sair por aí e gritar bem alto o que você nunca quis dizer
Essa revolta me faz chorar
Implorando, termino por soluçar
E até então, não consigo me segurar
A cada beijo do louco desejo
Eu me entorpeço e não me esqueço
De tudo que ainda não entendi...
---------------------------------------------
Triste por estar aqui
Triste por ser o que sou
Triste em ver o que me restou
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Fugir, escapar
Triste por olhar daqui
O que fazem, o que enganam
Falsos que dizem que me amam
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Escapar, me libertar
Triste por entender
O que dizem, manipulam
Paranóia que não me deixa viver
Eu não tenho boca
E eu preciso gritar
Libertar, flutuar
Triste por essa tristeza
Essa paranóia tem que parar
Me arraste daqui, preciso implorar ?
Eu não tenho boca
E eu preciso entender
Viver e morrer...
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Por raridade, seu olho se encontra com o meu
Neste momento que penetro no seu olho
Eu sou você e o que vejo sou eu
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O que pode ser ?
Meu coração não diz
Eu sinto medo
Sim, eu sinto medo
E nenhum deus está comigo
Nenhum deus esteve comigo
Me acordaram no meio da noite
Fiquei com medo da tempestade alucinante
Eu fugi pra me refugiar
Chorando lágrimas nas selvas
Mas eu sempre soube...o bravo
Encara o trovão sempre a lutar
Intrépidos soldados ingleses tentaram
em vão me levar - resisti bravamente...
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Era de se esperar
O rei é só uma marionete
Um palhaço brincando
Somos nós
Nós que construimos o destino deles
Parecem lunáticos
Tão engraçados
Brincam na grama
cuidado com seu machado!
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E até então satisfeito
Vou pra algum lugar mágico
Que me espera
Um lugar bem melhor
Onde eu ficarei melhor
Com alguém, até ir para o além
E descendo a velocidade
A bomba desaparece por um momento
O vento fresco não me bate
Me acompanha
E eu compreendo
Que até então
Só precisava de você
E então o frio chega
E estamos debaixo de nossos lençóis
O teto é nosso ceú
Não ligamos pras estrelas
Somos nossa própria vida
E até então eu compreendi
que só precisava de você
O sol e a chuva passam de mão em mão
você amadureceu, mas também envelheceu
Não está triste, sabe que somos nossa própria vida
E a noite chega meio cambaleante, mas você segue em frente
Talvez sozinho, mas compreende que vai encontrá-la
Não colocaremos nossa vida em outras mão
E até então o sol era só mais um brilho
Até então diminuímos a velocidade
Aproveitamos tudo em câmera lenta
Como se estivessémos debaixo d'agua
E até então eu compreendi
que só precisava de você
Você sabe que a uva é um tanto doce
você a quer, mas não quer se levantar
Quando iremos nos juntar ?
E até então eu entendi e quero sair daqui
Um lugar melhor me espera
Algo mais novo e mais alegre
E nós vamos para lá
pois somos nossa própria vida
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As flores de lótus se alertam umas as outras
Para a nova onda que irá chegar
O bravo já nao sabe que caminho tomar
Perdeu suas esperanças enquanto olhava o mar
Mostre-me o seu caminho
O fim da noite está chegando
Não há mais tempo
O corredor é largo e profundo
Não há mais tempo para decidir
É passar ou ficar
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Eu nasci no fim
já quando as cortinas desciam
Eu vi que você estava muito confusa
Mas são só os novos tempos que baixinho miam
Fique de pé, aguente-se
que o tempo certo tá vindo baby
E então agora, corre, pra alcançar o mar
Que eu corro atrás de você pra te amar
A chuva vem, as pessoas se afogam
Mas não chore baby, não é o fim
é um novo começo, lavemos nossas mentes
A esperança nos espera no fim do frenesi
E então o sol vem correndo
Anunciando o tempo certo baby
E então agora, corre, pra alcançar o mar
Que eu corro atrás de você pra te amar
-----------------------------------------
Quando eu era mais jovem
Entrei numa banda meio sem sentido
Fiquei mais perigoso, um tanto vivido
E agora, eu vou é revolucionar
Eu escutei muito raul seixas
Aprendi a aparar as madeixas
Mas eu aprendi também que não importa
Entrar no meio sem ser pela porta
Eu fui ler vários livros
Platão, sócrates e niezschte
Mas no fim aprendi o que já era
Eu tenho que ir, nego me espera
A estante não é revolução
Ficar parado não é solução
Todos me mostram o caminho
Mas eu sei, tá no meu umbigo!
---------------------------------------
Lá fora o amanhecer está quebrando
Mas aqui dentro, ele está atuando
Uma cena de teatro bem retraída
Minha alma também canta!
--------------------------------------
Desesperadamente você corre
Pelo longo caminho
E enviado pelo submarino
Você corre ao antigo lago
Mas quando todos gritam
É quando tudo bem
E bem longe desses campos
Escolha onde quer atuar
E tudo são ecos
Refletindo suas acões em outro plano
O passado está na arvore
As lanças não lhe acertam
Ande e você irá ver
E por trás dos olhos
Você não encontrará as lagrimas
E nem os anos que ficaram por trás da linha
--------------------------------------------
E em quieta desesperação ela acenou pra mim
Bravamente dando seu último olhar para o futuro
Que passava ali perto ; E os campos verdes enfim
Se encheram de algumas lágrimas de rancor duro
E em seu coração, sentia que havia chegado a ira dos deuses
Que os campos já não seriam os mesmos, teriam túmulos pobres
Chegada a hora, na sua mão um pequeno avental, lá leu-se
"Embarcando para nunca mais voltar", não há aparente sorte
Oh...oh...oh...
E em quieta desesperação
Eu não olhei pra trás
Oh mamãe...porque ir a essa terra ?
Porque fui chamado pra essa guerra ?
Mamãe...o que fizemos ?
--------------------------------------------
Zinco ecoa a fim de causar brilho
O bebê chora aos leões nas ruas
Enfurnado, o soldado baixa cabeça ao grito
De dor da vida derrotada e nua
Só o sábio nos conduz a verdade mentirosa
Os loucos que picham nos muros a certeza
A alegria que vem e vai logo sem destreza
O inferno que nos conduz a essa aspereza
Um fogo do mal, a vida
As estrelas, a incerteza
O império, o sacrilégio
Vem num surto, num lúcido
Em um pavio, no navio
Na morte, na sorte
--------------------------------------
Eu vi o inferno dos homens
Me desafiar para uma luta
E nada pude fazer contra esse infâmia
Baixei a cabeça desesperadamente...
--------------------------------------
O tempo de hesitar chegou - eu falo!
Mas só saem sons dissonantes...
São simples canções fantasmas - tão vis!
Mortas em cada esquina...
Embaixo de seus lentos coqueiros
Esperando a aurora renascer dia após dia
Morta pela noite que chegou outrora!
A vida é vil em seus relances de imbecilidade
Ela chega debaixo dos coqueiros, eu posso vê-la!
Olhos cruéis, frios como lobos do inverno gélido
Ela preenche minha alma, deixa marcas de tintas nas capelas
Chega! Não! Minha mente não aguenta cheiro crudelíssimo!
Ela diz no meu ouvido, vem e te faço a noite toda
Ó dama singela - odeio-a! - de singular pureza
Ela me faz ver os barcos que navegam; Morda
todas as vis palavras que você disse em quimeras de destreza
Morda os pedaços de rins que sobraram de seus sonhos
Ó musa! Já sonhei contigo mil sonhos! Não resta mais umbrais
Para vermos a estrela que chora rosa em nossos olhos fanhos
Já se foram os barcos que navegavam selvagemente nossos banhos
E enquanto você olha falsamente os que me rodeiam
Minha vida se constrói nisso! Te odeio; te desejo!
E cada lágrima de seu horroroso olho que cai - falsa!
Chega e vai embora aquele velho receio
---------------------------------------------------------------
As idéias se acabaram
Ficaram folhas meio escritas
Planos mal elaborados e restritos
frustações que ficaram
Tudo ficou mais distante
Flores morreram fracas, em um só instante
Reviveram toda sem dores e olores
Esmagando momentos praguejantes
Há sentido em se sentir só ?
Não faz diferença, morri hoje
Sei que morri, sou o maior
Morri sem estar entre amores
Sem esmagar fungos com minhas mãos
Sem te ver e lhe bater com meu coração
Colado entre paredes planas rebentas
Esqueci de você sem nunca dizer "Enfrenta!"
Minha primeira escolha foi errada
Fez flores murcharem todas sem olores
Misturei tudo que queria estragar
Calados em outro plano astral de dores
Espantalhos que me vem a noite
São tão maldosos!
Se fantasiam de ex-amores
Quando tenho medo das dores
E nas noites que me seguem com pavores
Encostam e recostam, são dolorosos!
E nas manhãs que acordo
Sempre sem esperanças
Sem vida e quase morto
Ainda assim, continuo minhas andanças
-------------------------------------------
em troca da vida, eu recebo a morte
me falta ser forte, me falta sorte
Não me ensinaram a revolta da canção
Eu aprendi sozinho, sem forças, sem coração
E em todo lar, eu tenho estado sozinho
Em toda companhia, sentem desgosto no meu vinho
Os leões foram soltos nas ruas, eu fui comido
Despedaçado, mas não importa, eu só estava semi-vivo
E em troca da dor, não vem a felicidade
E em troca da maldade, não vem a caridade
Me deixam só, sem escolha, escolho só
Escolho fechar os olhos pra não ver o sol
Fechar o corpo pra não ser ilusório
Abro o coracão pra verem um velório
sem mais...